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sábado, 21 de agosto de 2010

Um pouco de história - 1


O Palácio Rio Negro em torno de 1903


O Conjunto Arquitetônico Rio Negro está situado em área de 13.000 m² localizada em uma das avenidas mais representativas do Centro Histórico de Petrópolis-RJ, a Avenida Koeler, que tem esse nome em homenagem ao Major Júlio Frederico Koeler, que realizou o desenho urbano de Petrópolis. O terreno onde se encontra era composto, inicialmente, de três prazos (lotes) de terra medindo cada um 22 metros de frente, e mais outro lote aos fundos, de acordo com o padrão estabelecido por Koeler para o plano urbanístico da Vila Imperial e doados, em 1847, pelo Imperador D. Pedro II a pessoas de suas relações para compor a vizinhança de seu palácio de verão. Em 1940 seria agregado ainda um lote com edificação (o "chalé") datada de 1884, que teria pertencido à família de Frederico Guilherme Lindscheid e posteriormente parentes Joaquim Nabuco teriam morado lá.

O conjunto conta, atualmente, com nove edificações de valores arquitetônicos diferentes datando de épocas distintas, tendo como edifícios principais o Palácio Rio Negro e o Palacete Raul de Carvalho. O palácio, de construção em estilo eclético, data de 1889 foi edificado por encomenda de Manoel Gomes de Carvalho, o Barão do Rio Negro, próspero comerciante de café do Estado do Rio de Janeiro, ao engenheiro Antonio Januzzi, autor de diversas obras de grande importância à sua época, como as que compuseram a abertura da Avenida Central – atual Avenida Rio Branco – no centro do Rio de Janeiro, em 1904, e o Palácio Itaboraí, também em Petrópolis. O Barão do Rio Negro, entretanto, deve ter ocupado por pouco tempo o Palácio, pois cinco anos após a Proclamação da República deixou o país com a família transferindo-se para Paris, em 1894, onde veio a falecer em 27 de dezembro de 1898.

Em 1893, como conseqüência do descontentamento com o regime de Floriano Peixoto, oficiais da Marinha, sob o comando de Custódio José de Melo, iniciaram a Revolta da Armada, transformando Niterói, então capital da Província do Rio de Janeiro, e a baía de Guanabara, em verdadeira praça de guerra: a solução encontrada para assegurar a atuação do governo fluminense foi transferir temporariamente a capital para Petrópolis. O Governo da Província instala-se no Palácio Rio Negro, e em seu anexo, o Tribunal da Relação em 1896.

Em 1902, com a volta do Governo da Província a Niterói, ficou o Palácio desocupado, tendo sido hipotecado ao Banco da República do Brasil devido às dificuldades financeiras por que passava o governo, terminando aí a primeira fase do palácio Rio Negro como prédio público.

A partir de 1903 o Palácio Rio Negro passou a pertencer ao Governo Federal sendo transformado em residência oficial dos Presidentes da República, tendo recebido Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Braz, Epitácio Pessoa, Artur Bernardes, Washington Luiz, Getúlio Vargas, Café Filho, Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitscheck, João Goulart e Arthur da Costa e Silva, encerrando-se com este os verões presidenciais em Petrópolis. No governo de Ernesto Geisel o Palácio passou à guarda do Exército, servindo como residência do comandante da 1a. Brigada de Infantaria Motorizada, só voltando a hospedar o Presidente da República no verão de 1996, com a vinda do Presidente Fernando Henrique Cardoso, que ainda retornou ao Palácio outras duas vezes, nos anos seguintes.

Sem uso, o Conjunto Arquitetônico Rio Negro foi ocupado, por aproximadamente 9 anos, pela Prefeitura Municipal de Petrópolis, sendo devolvido à União por determinação judicial em novembro de 2005, passando a ser administrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. No início de 2009, com a transferência dos museus federais do IPHAN para um novo órgão, o IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), o Palácio Rio Negro passou a ser regido por esta instituição.

(Pesquisa realizada por Patrícia Souza Lima, Bárbara Primo, Aluysio Robalinho e Edna Morley)